(Homenagem) Robson Achiamé vive!

Robson Achiamé, anarquista e editor anarquista, foi uma grande figura quando o assunto e difusão das ideias anarquistas e libertárias. Com certeza, todas as pessoas que se consideram anarquistas tem alguns livros editados e lançados por Robson, pela sua editora Achiamé.

Achiamé tinha uma preocupação muito grande na difusão do pensamento anarquista, não se prendendo a editar livros de apenas uma corrente do anarquismo, ou mesmo apenas de anarquistas (vide os livros de Foucault que foram lançados por sua editora). Seu compromisso com a propaganda o acampanhou durante 47 anos, nos quais dedicou sua vida aos livros.

Robson Morreu em 2014 com 71 anos, porém vive em nossas estantes e nos corações de quem o conheceu.

Abaixo segue uma entrevista dadá para o Nu-Sol, aonde conta sua trajetória com a editora e sua vida.

Obrigado Robson Achiamé !

(Artigo) Ser mulher favelada é resistir dia a dia!

claudia

São os muros que nos cercam, são os tiros que atingem os nossos filhos, são as nossas casas que nos são tiradas dia a dia, somos arrastadas pela polícia. Ser mulher e favelada é lutar e resistir diariamente a uma vida que nos obrigaram a ter só por causa do espaço que nascemos, moramos e da cor que esta maioria tem.

Ser mulher e favelada é ser obrigada a lutar diariamente porque a escolha de ficarmos caladas, esta nunca foi nos dada, já nascemos para gritar, nascemos literalmente gritando contra esta sociedade desigual! Descer o morro, andar pelas ruas da favela, resistir às upps, aos tanques guerra, a falta de saneamento e calçadas que não existem, já é uma enorme resistência.

Chegando ao asfalto ou ligando a TV temos mais lutas, pois o que a gente vê são inúmeros estereótipos sobre nós. Infelizmente, até alguns dos nossos e nossas repetem, mas a culpa não é nossa. Afinal, é um trabalho diário e massivo para que a gente se sinta: fraca, feia, burra, preguiçosa, sem cultura, sem nome e sobrenome e que a gente aceite ainda o tapa na cara, para que a gente aceite também a opressão do homem sobre os nossos corpos. Sim, a mídia ajuda muito nisso.

A gente entende bem o que é isso, nada mais são do que preconceitos, machismo e racismo estabelecidos nesta sociedade do capital feito para que a gente se sinta menor, inferior, triste, sem vida, sem nada, um nada, ferida, calada, culpada. Entendemos ainda que todos os dias é dia de dizermos que temos que virar o jogo, virar a mesa mesmo, continuar gritando e dizendo que temos nome sobrenome e moramos na favela.

Gritamos contra todas essas formas de opressões há mais de cem anos, desde que favela é favela. Lembre que a gente nunca dormiu no ponto, não temos esta escolha, não dá, não podemos, não temos tempo. Saiba ainda que, nós mulheres faveladas, temos cultura, vida, lugar de fala e não precisamos da opinião desta sociedade que nos mata diariamente e até silenciosamente.

Nossos direitos dentro dos nossos espaços favelados são mínimos, já sabemos disso, e o que temos dentro dele, tudo o que temos foi construído por nossas próprias mãos e a gente se orgulha e muito disso!

Viva a luta e resistência da mulher favelada, esta que constrói cada pedaço desta cidade e com as nossas próprias mãos! Somos parte da cidade! Somos favela! Somos faveladas!

Por Carolina Favelada