Manifesto

A Rede de Informações Anarquista (#RIA ou #RedeInfoA) é um coletivo anarquista dedicado à comunicação e disseminação de informação livre e autônoma, atuante junto às lutas sociais e populares que tenham como princípio a ação direta. Surgido a partir de anseios aflorados no cerne das revoltas de junho de 2013, é uma resposta a demandas por uma mídia livre libertária para que então possamos contribuir criticamente com o nosso principal objetivo: a construção da sociedade livre e da autogestão social, na qual reconhecemos o crucial papel que a livre troca de informações possuirá.

Operamos em dois espaços: tanto o físico quanto o digital. Ao primeiro, dedicamos cobertura presencial de eventos, mobilizações e manifestações que tangenciem a prática libertária com o intuito de poder divulgar informações sobre acontecimentos que não são divulgados na mídia corporativa e, em alguns casos, fazer um valoroso trabalho de contra-informação questionando certas notícias vinculadas na grande mídia.

Ao segundo, dedicamos três portais disponibilizados na internet, dois dos quais (Facebook e Twitter) onde, apesar de problematizarmos as limitações dessas ferramentas geridas por empresas capitalistas, atuamos para compartilhar uma parte da vasta gama de atividades, informações e notícias que circulam pelo meio libertário; o terceiro e último, o espaço cá presente (Blog), onde publicamos textos próprios, colaborativos e traduções no sentido de seguir construindo a mídia livre no seio do movimento anarquista.

Finalmente, temos como grande meta a construção de uma grande rede autônoma e autogestionada de informações, da qual a RIA é apenas uma entre vários coletivos, rede essa que visará combater a alienação informativa e a apropriação da comunicação pelo capital, criando novos espaços virtuais e físicos de comunicação, com o propósito de atualizar e superar as atuais formas através das quais nós trocamos informações e interagimos globalmente.

Apesar de nos declararmos como especificamente anarquistas, estamos atentas e atentos a qualquer articulação e mobilização social que respeite alguns dos princípios centrais do anarquismo (em especial os de autogestão, apoio mútuo, ação direta, anticapitalismo, antiopressões e federalismo) dado que, como acreditamos, “o movimento anarquista nada inventou”, a não ser potencializou lutas que já se encontravam emergentes e consolidadas na classe trabalhadora e operária, classe essa que, em diversos momentos no decorrer da história, se organizou de forma autônoma para combater o autoritarismo opressor do estado capitalista, sem ismos nem direções centralizadoras.

Seguimos tal ideal ao nos colocarmos a disposição de todos os sujeitos oprimidos e oprimidas, nos afirmando assim como coletivo ativo e instrumento de luta contra as grandes corporações que mercantilizam a comunicação e veiculam informações distorcidas ou fabricadas. Estamos aqui para contribuir, criar, construir a descentralização dos meios de comunicação e informação, através da afirmação de que a mídia é VOCÊ MESMO QUEM FAZ! Somos, antes de tudo, uma rede, um rizoma a se espalhar sociedade afora sem possuir um núcleo ou uma direção verticalizada.

Todas e todos nós somos R.I.A., somos a comunicação, o ativismo, as informações. Trabalhamos da circunferência para o centro, ombro a ombro com as pessoas invisibilizadas, silenciadas, todas aquelas cuja escuta é criminosamente negada. Estamos aqui e ali. Estamos em toda parte e em lugar nenhum. De baixo para cima, lutaremos com base no apoio mútuo para fazer ver, falar e valer a justiça social, para que assim possamos alcançar e conquistar a sociedade livre.

“Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo ‘ser’, mas o rizoma tem como tecido a conjunção ‘e… e… e…’. Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. (…) Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio.” Deleuze & Guattari, Mil Platôs.

RIA você também!

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Rede de Informações Anarquistas (R.I.A.)

One Response to Manifesto

  1. Jocemar says:

    Comecei a pouco a estudar e entender a Anarquia e vocês tem ajudado muito, parabéns pela luta, ótimo portal.

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