(Entrevista) Assata por suas próprias palavras

assata-ninguemAssata por suas próprias palavras (original)

Meu nome é Assata (“aquela que luta”) Olugbala (“pelo povo”) Shakur (“a agradecida”), e eu sou uma escrava fugida do século XX e XXI. Por causa da perseguição do governo, eu não tive outra escolha a não ser fugir da repressão política, racismo e violência que domina a política do governo dos Estados Unidos contra as pessoas de cor¹.

Eu sou uma ex-prisioneira política e tenho vivido em exílio em Cuba desde 1984. Eu fui uma ativista política toda a minha vida e, apesar do governo dos E.U.A. tenha feito tudo que possa para me criminalizar, eu não sou uma criminosa, nem nunca fui. Nos anos 60, eu participei em diversas lutas: o movimento de libertação negra, movimento por direitos estudantis e o movimento pelo fim da guerra no Vietnã. E

u ingressei no Partido dos Panteras Negras. Em 1969, o Partido dos Panteras Negras havia se tornado a principal organização alvo pelo programa COINTELPRO do FBI². Por que o Partido dos Panteras Negras demandava a total libertação do povo negro, J. Edgar Hoover³ chamou o de “a maior ameaça à segurança interna do país” e jurou destruir a organização e seus líderes e ativistas.

¹Do original people of color. Na língua inglesa, a expressão ‘pessoas de cor’ é utilizada para se referir à pessoas que não são brancas, como Negras, Indígenas, Latinas etc e não possui o caráter pejorativo que possui no Brasil.

²COunter INTELigence PROgram (Programa de Contrainteligência) foi um programa do Federal Bureau of Investigation (FBI) que visava investigavar e desmantelar organizações políticas dos Estados Unidos, que muitas vezes atuou com ações ilegais.

³Diretor do FBI na época.

Por Assata Shakur em Português

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